Projetos de games que foram pelo ralo.

Sabemos bem que nem todos os projetos de jogos eletrônicos conseguem chegar ao mercado. Sabemos também que vários outros que, perto de serem lançados, acabam encontrando uma série de dificuldades que comprometem definitivamente suas chances de chegar às mãos do público. Hoje não é o dia de discutir porque isso acontece — já o fizemos no passado, e se tivermos algo de relevante a adicionar talvez ressuscitemos o assunto no futuro.

Por ora, decidimos olhar um pouco sobre nossos ombros e verificar alguns projetos do passado que, por alguma razão, não puseram os “pés” para fora dos estúdios. Alguns dos nomes serão figurinhas carimbadas deste tipo de discussão, mas outros são menos conhecidos — justamente por terem falhado tão cedo em seu desenvolvimento que nem mesmo houve divulgação sobre eles.

Alguns serão vistos no futuro, sem dúvida, pois nunca se sabe quando algum distribuidor ou desenvolvedor resolverá reviver uma ideia antiga em determinado momento propício. Outros, infelizmente, cairão no esquecimento e as gerações futuras não saberão nem mesmo que um dia quase existiram. Assim é o inexorável e imperdoável caminhar da indústria dos games.

Antes de passar às nossas escolhas, gostaríamos de propor um exercício lúdico bastante rápido. Pense em jogos que você aguardava ansiosamente mas não viram a luz do dia e os escreva em um pedacinho de papel — ou digite no computador, também serve — sem olhar a lista abaixo. Uma vez que tenha feito isso, aí sim convidamos você a seguir com a leitura do artigo.

Pode parecer algo estúpido, mas isso servirá mais adiante. Guarde sua pequena lista por alguns momentos, e já retornaremos a ela. Enquanto isso, confira o que encontramos de melhor no limbo dos video games — aquele espaço para o qual os jogos vão sem serem julgados, já que não tiveram essa oportunidade!

Abandonados

Games que foram por água abaixo

Duke Nukem Forever

O rei dos vaporwares — jogos que, mesmo quando estão supostamente em desenvolvimento, ninguém acredita que irão chegar ao lançamento um dia — não podia ficar de fora, ou mesmo deixar de ser o primeiro da lista. Afinal de contas, ele define perfeitamente os inúmeros problemas que podem acometer um título durante a criação: falta de comunicação, problemas financeiros, divergências de opinião entre as empresas envolvidas…

Hoje em dia, ninguém mais possui nenhuma esperança de ver Duke Nukem Forever em estado final e nas casas dos consumidores. Aqueles que sentem falta do caricato protagonista deverão se contentar com outros títulos, como Duke Nukem Trilogy. Um paliativo, mas nada que se compare à expectativa que se acumulou durante mais de uma década de espera…

GoldenEye HD

Esse é mais sutil e, antes de começarmos a pesquisar a respeito, alguns da equipe do Baixaki Jogos nem mesmo sabiam da existência do projeto. Todos imaginavam que algo deveria estar sendo pensado devido ao grande sucesso do game, mas poucos realmente estavam a par da quantidade de trabalho que já havia sido feito sobre a tal versão.

Diversas fontes estrangeiras confirmam ter visto versões demonstrativas do título e afirmam que tinha potencial para conquistar muitos mais do que apenas os corações nostálgicos de gamers mais velhos. Uma forma toda nova, mas que mantinha a experiência central intacta — ou seja, você ainda teria a sensação de jogar o sensacional game do agente britânico, revivendo as experiências fantásticas de tela dividida em multiplayer mais uma vez.

A razão de não termos a oportunidade de jogá-lo? Aparentemente, o problema foi um conflito de interesses entre a Nintendo e a detentora dos direitos da franquia 007, a Activision. Quando as duas não conseguiram se entender, a Rare — desenvolvedora do jogo — acabou ficando com seu produto em mãos, a girar os dedos…

Titan Project

Um projeto da Ensemble Studios, a mesma desenvolvedora de Age of Empires e Halo Wars. Outro que é pouco conhecido, pois ficamos sabendo a respeito apenas depois do fechamento da empresa. Assim, descobrimos que se tratava de um MMO que explorava o universo de Halo, embora de uma maneira um tanto quanto… Inusitada.

Isso porque, de acordo com alguns vazamentos de informação sobre o projeto, existiam vários elementos de fantasia dentro dele, talvez como uma forma de tentar enquadrá-lo no sucesso de outros games do gênero. Mas que não fazia o menor sentido dentro da perspectiva de Halo, o que pode ter levado a desentendimentos internos que resultaram no cancelamento.

Não que o desenvolvimento tivesse ido muito longe, já que este trabalho se limitou aos estágios de pré-produção. Mesmo assim, um MMO de Halo é algo que agradaria a muita gente, então não é surpresa que algum esforço tivesse sido realizado nesse sentido.

Batman: Dark Knight

Antes da redenção do cavaleiro das trevas com o excelente Arkham Asylum, houve apenas… Trevas. Acho que muitos se lembram do estado deplorável em que se encontrava a marca do homem-morcego nos video games há alguns anos, o que não melhorou mesmo depois de apertarem o botão “reset” da franquia nos cinemas.

O projeto que leva o nome do segundo filme após o recomeço — The Dark Knight foi a sequência de Batman Begins — não foi desde o início atrelado ao filme. Quando isso ocorreu, o resultado foi um tempo de desenvolvimento ainda menor. Consequentemente, a pressão aumentou e a equipe da Pandemic não conseguiu manter o ritmo necessário para desenvolver um produto digno de Batman. Mais um para a galeria dos esquecidos.

The Witcher: Rise of the White Wolf

Quem não se lembra de The Witcher? Fãs de RPGs para computadores certamente já se depararam com o nome, mesmo que seja somente por causa da polêmica em torno das controversas cartas “souvenir” envolvendo a nudez de mulheres conquistadas pelo protagonista. Independentemente de discussões morais, no entanto, o game era bom.

Tão bom que Rise of the White Wolf pretendia ser uma adaptação para os consoles da aventura de Geralt nos PCs. O PS3 e o X360 receberiam finalmente o aclamado título em uma versão já refinada pelos vários patches e melhorias realizadas pelo estúdio de desenvolvimento. Ou seja, um produto final ainda melhor do que aquele que os jogadores de PC receberam no dia do lançamento.

No entanto, a parceria com a Widescreen Games não deu muito certo. Esta empresa francesa era a responsável por desenvolver a adaptação, enquanto a polonesa CD Projekt Red Studio era a desenvolvedora original. Após vários conflitos internos, o projeto foi abandonado. A boa notícia é que os donos de consoles poderão conferir a sequência de The Witcher, chamada de Assassins of Kings, no ano que vem!

Final Fantasy Fortress

Um RPG de ação com uma proposta ambiciosa, terceirizado pela Square Enix para a sueca GRIN — esta última responsável por games como Wanted: Weapons of Fate, Bionic Commando, Terminator Salvation e alguns da série Ghost Recon. Alguns elementos de FFXII podiam ser vistos nos conceitos do título, mas a própria desenvolvedora dizia que a escala do projeto era épica.

No entanto, a Square Enix não pareceu compartilhar da mesma opinião e decidiu retomar o projeto, retirando-o da GRIN sem pagamento. Pouco depois a empresa sueca faliu citando falta de pagamento por parte de vários distribuidores e uma situação de caixa insustentável. Ainda disse que possuíam uma obra de arte que não lhes foi permitida terminar. Ui.

Embora o projeto ainda esteja no limbo, é um dos que possivelmente poderão retornar no futuro. Rumores indicam que a Square Enix ainda está procurando um novo desenvolvedor para o projeto, mas por enquanto… Nada de Fortress.

A nossa seleção é pequena, mas representativa o suficiente de vários gêneros para mostrar que problemas podem atingir qualquer setor do desenvolvimento de games. Afinal de contas, interesses pressionando de todos os lados podem ser bons para ativar as engrenagens de um projeto, mas interesses divergentes geralmente levam a catástrofes se não são resolvidos.

Agora é a hora, porém, de retomar aquela lista feita nos primeiros parágrafos. Apostamos que Duke Nukem Forever foi escolhido por quase todos os leitores, mas, fora esse título, acreditamos que os projetos lembrados foram bastante diferentes de um leitor para o outro. No seu caso, qual foi a sua escolha? Compartilhe conosco!

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